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MINERADORA SAMARCO SABIA QUE BARRAGEM PODERIA SE ROMPER DESDE 2013


A subprocuradora-geral da República Sandra Cureau afirmou que a mineradora Samarco sabia dos riscos a que os moradores do distrito de Bento Rodrigues estavam expostos, pelo menos desde 2013.

Por essa razão, deve responder por todos os danos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Minas Gerais. A subprocuradora fez a afirmação ao representar o Ministério Público Federal (MPF) em audiência pública na Câmara dos Deputados, em 18 de novembro, que discutiu as ações de reparação ao meio ambiente e às vítimas da tragédia em Minas.

18/11/2015: Em audiência na Câmara dos Deputados, MPF discutiu ações para
mitigar danos da tragédia em Minas Gerais (oto: Antonio Augusto/Secom/PGR)

No inicio de novembro, a barragem da mineradora se rompeu e levou uma onda de lama com rejeitos de mineração a invadir o distrito de Bento Rodrigues e diversas comunidades próximas. Além disso, os rejeitos penetraram na bacia do Rio Doce. Dali, a corrente hídrica seguiu até o estado do Espírito Santo, chegando ao mar. Os peixes, que serviam de sustento para as populações ribeirinhas, estão mortos. A flora e a fauna foram duramente afetadas.

Imagem aérea mostra o Rio Doce repleto de lama após o rompimento de barragens da mineradora Samarco, desaguando no mar, na costa do Espírito Santo (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Para a subprocuradora, se a Samarco tivesse um plano de contingencia contra desastres como esse, os danos poderiam ter sido evitados, ou, pelo menos mitigados.

“E a Samarco sabia que tinha que elaborar o plano, porque foram feitas recomendações pelo MPF neste sentido. Mas constatou-se que a empresa não tinha nenhum”, disse.

Entre as providências recomendadas à Samarco e que não foram seguidas, estava a instalação de uma sirene ou alarme para alertar as comunidades em caso de rompimento.

“Não havia nada. No rompimento, a empresa acabou não avisando ninguém”, completou.

Pelo fato da empresa conhecer os riscos a que os moradores da região estavam expostos, Sandra Cureu defendeu que a Samarco seja responsabilizada, civil e criminalmente, pelos danos ocasionados ao meio ambiente e às vítimas do desastre e indenize moradores e famílias atingidas pelo rompimento. As famílias das vítimas também teriam direito à indenização pela perda de seus entes queridos.

Garantias

O Ministério Público Federal afirma que já está atuando no sentido de que a empresa recupere o meio ambiente e para que as pessoas atingidas não fiquem desamparadas. O órgão montou uma força tarefa, que reúne MPs Federal e Estaduais de Minas Gerais e do Espirito Santo. Essa atuação conjunta já resultou em um acordo com a Samarco de R$ 1 bilhão, que deve garantir, provisoriamente, a recuperação inicial dos danos ambientais.

No entanto, a subprocuradora Sandra Cureu alertou que, mesmo a empresa tendo assinado o acordo, não significa que o MPF abrirá mão de valores maiores que venham a ser apurados no desastre.

“Não dá para dizer neste momento quanto vão pagar, ou deixar de pagar, porque não temos como avaliar ainda todos os danos causados. Os rejeitos continuam seguindo pelo rio Doce até o mar e atingindo as regiões vizinhas”, avaliou.

Acrescentou que, por se tratar de direitos e interesses indisponíveis, o MPF deve buscar a condenação da Samarco na reparação de todos os danos e, se não for possível, sua compensação.

Emergencial

O general Adriano Pereira Júnior, do Ministério da Integração Nacional, detalhou o plano emergencial para garantir, de forma imediata, apoio às famílias que perderam suas casas. Em Bento Rodrigues, o general explicou que as famílias, inicialmente, foram alojadas em um ginásio de Mariana. Logo após, foram para hotéis e pousadas da região.

“E já está em curso a transferência das pessoas para casas alugadas pela Samarco”, explicou.

Sobre o abastecimento de água, vários municípios de Minas foram afetados pela onda de lama da barragem. O caso mais crítico foi o de Governador Valadares, que ficou sem água em seus reservatórios por alguns dias. Segundo Adriano Pereira, inicialmente, a única forma de garantir o abastecimento do município foi por meio de carros pipa.

“No entanto, notamos posteriormente que essa medida não seria suficiente para garantir água à população. Tínhamos capacidade para transportar apenas 700 mil litros de água e a população consome, diariamente, 15 milhões de litros”.

A partir daí, estudos foram feitos para analisar se a estação de tratamento local teria capacidade para tratar a água do Rio Doce, mesmo nas condições em que se encontrava, com alto grau de turbidez. Segundo disse, após a coleta de dados, os resultados mostraram que o rio já estava mais “limpo” e, desde sábado, a companhia de tratamento local voltou a receber água do manancial.

“Com isso, as residências da cidade, desde segunda-feira, voltaram a receber normalmente a água tratada do Rio Doce”, concluiu. [1]

Atualização

Segundo levantamento feito pela reportagem do jornal Folha de São Paulo de 25/11/15,  havia um plano para monitorar 24 horas as barragens da Samarco e alertar os moradores de Mariana (MG) em situações de emergência. Este plano foi encomendado pela mineradora em 2009 à Consultoria RTI (Rescue Training International), – que atua há mais de 30 anos com programas de segurança – seis anos antes do rompimento que devastou a região e provocou um desastre ambiental que já chegou ao litoral do Espírito Santo. Mas ele acabou sendo engavetado – segundo a empresa responsável pelo documento -, devido à “crise econômica” [ênfase nossa].

Em 2012 a Samarco voltou a contratar a RTI para desenvolver um Centro de Telecomunicações de Emergências Médicas, para atender os funcionários em risco operacional, mas não as comunidades vizinhas das barragens.
Questionado sobre os custos para pôr esse plano em ação, Randal Fonseca, diretor da RTI, disse

“Não tenho como estimar de pronto quanto custaria. Mas posso asseverar que não representa décimos de milésimos do que está custando lidar com os efeitos, sem considerar aquilo que custará a recuperação em dezenas de anos.”

Ainda, segundo ele, os planos que costumam ser apresentados pelas mineradoras aos órgãos de fiscalização não seguem padrões internacionais e são feitos para “cumprir tabela”.[2]

 

via:

[1] Secretaria de Comunicação Social – Procuradoria Geral da República

[2] Folha de São Paulo

Imagem topo: Fotos Públicas


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