BOMBA! MONTADORAS DE VEÍCULOS FAMOSAS SÃO ACUSADAS DE FINANCIAREM TESTES ‘ABOMINÁVEIS’ EM HUMANOS E MACACOS

MONTADORAS DE VEÍCULOS FINANCIARAM TESTES 'ABOMINÁVEIS' EM HUMANOS E MACACOS

As montadoras de automóveis alemãs Volkswagen, Daimler (ou Mercedes-Benz), e BMW estão sob suspeita de realizarem testes em laboratório onde humanos e macacos serviram de cobaias, inalando gases tóxicos da fumaça de escapamentos.

Os primeiros dados do caso foram revelados em um artigo do The New York Times, que revela que as três empresas alemãs financiaram experimentos com macacos que visavam provar que os motores a diesel mais recentes não são tão poluentes como os mais antigos. Os testes foram realizados na cidade americana de Albuquerque, no Estado de Novo México.

Já a imprensa alemã se concentrou em testes realizados com humanos em um laboratório em Aachen, próximo à fronteira com a Holanda. O jornal Stuttgarter Zeitung e a Rádio SWR relataram experiências com 19 homens e seis mulheres neste laboratório. Durante um mês essas pessoas foram expostas a diversas concentrações de fumaça de diesel, que contém óxido de nitrogênio, que é tóxico.

A imprensa alemã afirma que a pesquisa foi realizada por um grupo chamado EUGT (Grupo de Pesquisa Europeu sobre Meio Ambiente e Saúde no Setor de Transporte, na sigla em inglês), financiado, por sua vez, pelas empresas Volkswagen, Daimler e BMW.

O governo alemão declarou não haver motivo para a realização de experimentos dessa natureza e exigiu mais detalhes sobre eles.

“Esses testes em macacos ou mesmo em humanos não podem ser justificados do ponto de vista ético, de forma nenhuma”, disse o porta-voz do governo Steffen Seibert.

A ministra do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, chamou os experimentos de “abomináveis” e se disse chocada que cientistas tenham concordado em conduzi-los.

Motivação dos testes

O jornal New York Times afirma que a pesquisa do grupo EUGT tinha como objetivo se contrapor a uma decisão de 2012 da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classificava a fumaça de escapamento de veículos a diesel como cancerígena.

Fraudes

Através dos resultados dos testes, as montadoras argumentavam que tecnologias modernas permitiam reduzir a poluição de escapamento de veículos a diesel a níveis seguros. Contudo, posteriormente, foi descoberto que a Volkswagen havia instalado dispositivos fraudulentos nos veículos testados.

Em 2015 a montadora reconheceu ter equipado 11 milhões dos seus veículos no mundo, dos quais 600 mil nos EUA, com um aplicativo que enganava os equipamentos de controle de emissões, reduzindo o nível real das emissões de gases nocivos, quando estes eram testados. A descoberta da fraude ambiental causou um escândalo internacional e derrubou a cúpula da montadora, além de uma multa bilionária (cerca de US$ 26 bilhões).

Autodefesa

Em sua defesa, as empresas têm dito que não conheciam os detalhes da pesquisa que financiaram. A Daimler disse estar “consternada pela extensão dos estudos (da EUGT) e sua implementação“.

“Nós condenamos os experimentos de forma veemente”.

Em reação à reportagem do New York Times, a Volkswagen tuitou no sábado dizendo que “se distancia explicitamente de todas as formas de abuso de animais“.

“Nós sabemos que os métodos científicos usados pela EUGT estavam errados e nos desculpamos sinceramente”.

O conselho de supervisão da Volkswagen disse que vai investigar o assunto e chamou os experimentos de “completamente absurdos“.

Os testes foram antiéticos?

O governo alemão avalia que sim. Enquanto isso, dois cientistas independentes que já realizaram testes de poluição do ar com voluntários humanos disseram que o patrocínio das empresas a estes experimentos é problemático.

“Se a pesquisa não é independente, então há dúvidas sobre sua validade e, portanto, sobre sua ética”, diz Frank Kelly, da universidade King’s College London.

Kelly diz que centenas de voluntários já participaram de estudos com financiamento público sobre o impacto da emissão do diesel – trabalhos estes que precisaram passar pela aprovação em comitês de ética para prosseguir. Em um estudo universitário, por exemplo, voluntários com doenças crônicas nos pulmões ou no coração caminhavam por pontos turísticos movimentados de Londres.

“Fazer experimentos com pessoas ou macacos não é por si só antiético”, afirma Chris Carlsten, da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Carlsten acrescenta ainda que “não é muito comum” fazer testes de poluição do ar com macacos, apesar de alguns terem sido usados para estudar a camada de ozônio. Ele estudou os efeitos da emissão de diesel em voluntários, que costumam ser pagos em cerca de 14 dólares canadenses (R$ 34) por duas horas de exposição à poluição.

“Esses estudos são essenciais para apoiar políticas que possam proteger a todos”, afirmou.




Meio Info/BBC

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