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BRASILEIRA COORDENOU CRIAÇÃO DE “CANETA” CAPAZ DE IDENTIFICAR CÉLULAS CANCEROSAS

BRASILEIRA COORDENOU CRIAÇÃO DE CANETA QUE IDENTIFICA CÂNCER

Aparelho semelhante a uma caneta é capaz de distinguir células cancerígenas das sadias, durante a cirurgia, de modo mais rápido e preciso. câncer

Um grupo internacional de pesquisadores coordenado pela química brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, da Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, desenvolveu um dispositivo capaz de identificar tecidos tumorais de um modo mais rápido e preciso durante as cirurgias oferecendo resultados em cerca de 10 segundos.

O aparelho (caneta) foi batizado de MasSpec Pen e pode auxiliar os médicos a definir quais tecidos devem ser extraídos e quais podem ser preservados, de modo a aperfeiçoar o tratamento e diminuir o risco de o tumor reaparecer. Os resultados dos primeiros testes com o novo dispositivo foram apresentados em um artigo publicado no começo de setembro na revista Science Translational Medicine.

Os métodos empregados atualmente para determinar os limites entre os tecidos tumorais e sadios durante a cirurgia são lentos e, às vezes, imprecisos. O mais conhecido é o de criosecção, em que uma amostra do tecido é retirada, preparada e submetida à avaliação de um patologista. O procedimento leva em torno de 30 minutos, prolongado o tempo da cirurgia, o que pode colocar o indivíduo em risco. O problema é que nem sempre os resultados são acurados. Muitas vezes, além de tecidos tumorais, removem-se também partes de tecido saudável.

O dispositivo desenvolvido pelos pesquisadores se vale do metabolismo descontrolado característico das células cancerígenas. Todas as células, saudáveis ou tumorais, geram moléculas responsáveis pelos processos metabólicos. Cada tipo de célula cancerígena produz tipos específicos dessas moléculas, os metabólitos, que acabam funcionando como marcadores para a doença.

Em contato com o tecido, o MasSpec Pen dispara uma pequena gota d’água, que absorve os metabólitos. A gota, então, é sugada de volta para o aparelho. Os dados sobre os metabólitos são enviados a um espectrômetro de massa, que faz a análise com base em um banco de dados molecular desenvolvido pela equipe de Lívia a partir de 253 amostras de tecido humano.

Ao completar a análise, o dispositivo apresenta o resultado lançando as palavras “Normal” ou “Câncer” na tela do computador.

“No caso de alguns tipos de tumor, como os de pulmão, o aparelho consegue identificar até mesmo o subtipo da doença”, explica Lívia.

Segundo ela, o aparelho teve um bom desempenho em testes iniciais envolvendo as 253 amostras de tecido humano, apresentando um diagnóstico preciso em 96% dos casos. O aparelho também foi testado em modelos animais, com camundongos. O próximo passo é submeter a nova tecnologia a testes clínicos em seres humanos, utilizando-a em cirurgias para extirpação de tumores no ano que vem.

O jornal Hora 1 da Rede Globo também fez uma matéria em vídeo sobre este grande feito, assista neste link.

O artigo científico publicado está disponível neste link.




Meio Info/FAPESP


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